Anaïs Nin (1903-1977) nasceu em Paris. A mãe era filha do cônsul holandês em Havana e o pai um pianista e compositor cubano. A sua infância é passada entre músicos e artistas de renome, e em deambulações um pouco por toda a Europa. Em 1914 o pai abandona a família e a mãe decide regressar a Nova Iorque, onde crescera, com os três filhos. A bordo do barco que a afasta da Europa solarenga, cheia de história e de arte, Anaïs começa a escrever uma longa carta ao pai, esse homem que a fascina e a aterroriza. A carta nunca foi enviada, mas foi-se prolongando a cada dia, transformando-se no seu diário e dando origem a uma paixão pela escrita.
Em 1924, já casada, regressa a Paris. Convive com algumas das maiores personalidades literárias, artísticas e vanguardistas do seu tempo: Antonin Artaud, Otto Rank, André Maurois, Lawrence Durrel, Constantin Brancusi e, claro, Henry e June Miller.
Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, Anaïs vê-se forçada a abandonar Paris e regressa a Nova Iorque. Vive em Greenwich Village e, embora o ambiente intelectual seja propício à escrita, os seus romances são recusados pelas editoras. Aceita então escrever histórias eróticas para um coleccionador anónimo, que serão compiladas e publicadas postumamente: Delta de Vénus e Passarinhos. Após publicar alguns dos seus romances em edição de autor, a sua obra começa a ser fortemente elogiada pela crítica e, a partir da década de 50, é editada com grande sucesso na Europa.
Anaïs Nin vivia em Paris, casada com o homem ideal, Hugh Guiler, e procurava encontrar-se e impor-se literariamente. Henry Miller, mais velho, a viver sempre muito próximo da miséria, cruzava Paris e, por intermédio de conhecidos comuns, entrou no mundo encantadoramente gracioso dos Guilers. Apesar das diferentes personalidades, Nin não podia ter ficado mais feliz.

Esta relação artística e apaixonada foi palco de uma das correspondências mais ricas e íntimas da história literária. As cartas trocadas entre os dois escritores, e que tantas vezes se confundiam com os diários secretos escritos por Anaïs Nin, discutiam literatura, falavam de solidão, choravam angústias, exprimiam paixão e contaram a admiração artística e ligação espiritual que sentiam um pelo outro.
Miller foi a primeira pessoa a reconhecer a qualidade única dos diários de Nin e ela chamava-o de "o maior escritor à face da Terra", providenciava-lhe apoio financeiro e procurou publicação para o seu Trópico de Câncer.
Eram ambos casados quando se conheceram em Paris, em Dezembro de 1931. Miller divorciou-se em 1934, mas Nin não quis abandonar o seu marido, de quem acabou por se separar só no fim dos anos 1940.

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HENRY MILLER

ANTIGA CASA de ANAIS NIN